quarta-feira, 13 de maio de 2015

Falando sobre o assunto...

Esta é uma entrevista com a professora de ensino fundamental, Elaine Cristina Gomes que teve a oportunidade de trabalhar com uma criança com Síndrome de Down.



1. Qual perfil do seu aluno SD?



R. Matheus tinha síndrome de down, com um leve atraso mental, tinha 9 anos, usava óculos devido à miopia. Era um menino muito alegre, ativo, gostava de chamar atenção. Adorava as aulas de arte, educação física e informática. Conseguia entender as rotinas da classe, gostava de imitar o comportamento e atitudes dos colegas, era muito observador, queria saber o que todo mundo estava fazendo.




2. Quais os principais desafios que você enfrentou ao lidar com este aluno?



R. Trabalhar com a inclusão foi um desafio, mas acredito que todo aluno tem seu diferencial e seu potencial, que deve ser estimulado. O professor deve se comprometer com o progresso do aprendizado de todos os seus alunos, ter afetividade e sensibilidade, bem como promover a integração dos alunos, fazer com que todos se sintam acolhidos. No começo surgiram algumas duvidas em como trabalhar os conteúdos e elaborar as atividades, mas com o passar do tempo, fui percebendo que bastavam adequar as atividades, preparava outras tarefas para ele, de acordo com o que ele podia realizar, respeitando o seu limite, pois sabia ele se encontrava em fase diferenciada no processo de alfabetização. A observação é fundamental, todo dia tinha que avaliar o nível de disposição e estado emocional do aluno com síndrome de down, se estava cansado, calmo, agitado ou ansioso e por varias vezes tive que adaptar a atividade para se adequar a estas situações, pois não adianta nada tentar fazer algo que ela não tinha vontade.




3. Você já abordou o tema da diversidade e inclusão social com os alunos? Como era o relacionamento entre os alunos?



R. O relacionamento entre os alunos da sala era tranqüilo, o aluno com síndrome de down já fazia parte da turma, no ano anterior, então, todos já estavam bem entrosados. É muito importante trabalhar os conceitos das diferenças, respeito e amizade entre os alunos. O professor deve deixar claro que todo tem nossas diferenças, que devemos respeitar uns aos outros. Deve tentar criar um laço de amizade e respeito entre os alunos. Ele deve trabalhar com seus alunos para que a diferença seja compreendida como uma característica do ser humano e que ela não tira a dignidade de ninguém. A diversidade é um assunto muito amplo e abrange a deficiência, a pobreza, questões raciais e outras. O professor tem diversas formas de abordar estes temas em sala de aula, através de histórias infantis, músicas, brincadeiras, teatro etc.. A introdução destes temas ao currículo escolar contribui muito para o aprendizado dos alunos e também para construção de sua cidadania.




4.  Você fez algum curso de capacitação para lidá-la com aluno com deficiência?



R. Não fiz curso de capacitação, mas buscava informações contínuas na internet, livros, revista, para que a inclusão e o aprendizado deste aluno fosse bem sucedido.




5. Quais as práticas e estratégias que você utilizou em sala de aula?



R. Quando recebemos um aluno com deficiência, somos estimulados a rever nossa prática e a buscar outras formas de ensinar e diversas foram as praticas utilizadas em sala de aula, o mais utilizava era o trabalho em grupo trazia mais motivação aos alunos, promovia a interação social entre eles e facilitava o aprendizado. Motivar a cooperação entre todos os alunos em sala de aula é muito importante, principalmente para a inclusão dos alunos com deficiência, pois os alunos que têm mais habilidades em alguma matéria ajudam aquelas com menos habilidades, assim os alunos trabalham juntos. Cabe ao professor verificar como os alunos se comportam diante das atividades pedagógicas e só então estabelecer metas, partindo sempre do que eles já sabem.



6. Quais as formas de avaliação de aprendizagem do aluno com síndrome de down?



R. Em algumas atividades os alunos eram avaliados da mesma forma, porém o aluno com deficiência precisa que sua diferença seja respeitada. Algumas provas ou tarefas tinham que ser adaptadas para o aluno com síndrome de down, ou estendido o tempo para sua realização.




7. Você utilizou algum recurso tecnológico com seus aluno? Algum em especial para com o aluno com síndrome de down?



R. Já utilizei diversos recursos tecnológicos em sala de aula, a escola possuía uma sala multifuncional, onde os alunos tinham aula semanalmente. O aluno com deficiência usava os mesmos recursos que os demais alunos.




8. Como foi à evolução do aluno durante o ano?



R. A evolução do Matheus foi excelente, aprendeu escrever seu nome, além de varias outras palavras no seu próprio ritmo, lia com maior desenvoltura, reconhecia e relacionava os números; já realizava pequenas somas, conseguia fazer quase todas as lições propostas aos demais alunos.




De fato o aluno com deficiência tem um potencial, que deve ser estimulado na sala de aula, porque através do convívio com os outros alunos aprendem mais rapidamente, e todos saem ganhando, pois conseguem se socializar, respeitando suas diferenças.

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